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Jornalismo, Literatura e História: As grandes reportagens
Por Lucas de Oliveira Fernandes     Atualizado em 31/10/2006 15:37:34  Página 1 de 5   próxima >  

As chamadas grandes reportagens mesclam características da narrativa literária, da história e do texto jornalístico. Elas fazem parte do jornalismo literário. Livros como Rota 66, de Caco Barcellos, filmes como Todos os homens do presidente e especiais televisivos como Globo Repórter inserem o público em um mundo muitas vezes desconhecido, temido ou distante; contam a história de maneira romanceada, quase lúdica em alguns casos, prendendo a atenção e distanciando-se dos padrões de jornalismo aos quais estamos acostumados. o jornalismo literário.

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Jornalismo literário: aproximação ao cotidiano

Em março deste ano o mundo ficou em polvorosa após a exibição da entrevista que o jornalista Martin Bashir realizou com o polêmico astro da música pop, Michael Jackson. Mas o que fascinava tanto o telespectador nesse especial televisivo, além das excentricidades do entrevistado?

Bashir foi convidado por Jackson a acompanhar seu cotidiano durante oito meses, seguindo-o em suas viagens, aparições públicas, em compras e momentos de lazer. Conversou com amigos próximos, conheceu seus  filhos, o que gosta e faz o cantor em seu dia-a-dia. Com os dados coletados, o jornalista apropriou-se de características da literatura para conduzir a sua reportagem, usando diversas vezes a primeira pessoa em uma narrativa não linear, permeada por flashbacks, com descrições minuciosas dos lugares visitados, das expressões e do comportamento de Jackson, aproximando a abstração de sua vida milionária e incomum ao cotidiano de quem assiste ao especial televisivo.

Martin Bashir e Michael Jackson
Bashir e Jackson em uma das entrevistas que compuseram o documentário "Vivendo com Michael Jackson"

É nesse ponto, nas chamadas grandes reportagens, onde se mesclam características da narrativa literária, da história e do texto jornalístico que encontramos a resposta para a pergunta do primeiro parágrafo. Livros como Rota 66, de Caco Barcellos, filmes como Todos os homens do presidente e especiais televisivos como Globo Repórter inserem o público em um mundo muitas vezes desconhecido, temido ou distante; contam a história de maneira romanceada, quase lúdica em alguns casos, prendendo a atenção e distanciando-se dos padrões de jornalismo aos quais estamos acostumados.

Os exemplos são muitos, e nem todos tão recentes como imaginamos. O escritor e jornalista Euclides da Cunha escreveu um dos maiores clássicos da literatura, do jornalismo literário e um dos melhores relatos que falam do arraial de Belo Monte, seus habitantes e sobre as batalhas que o extinguiram. Suas reportagens sobre Canudos, originalmente publicadas no Estado de S. Paulo, deram origem ao livro Os sertões.

Logotipo original do jornal O Estado de S. Paulo  e Euclides da Cunha

Espero mostrar neste artigo um pouco mais desse gênero ainda pouco conhecido pelas pessoas, que pode se tornar um registro histórico de um fato ou de uma época. Além disso, veremos como esse gênero é produzido, em que difere do jornalismo trivial, como nos entretém e fascina com relatos de fatos e acontecimentos verídicos sem que percebamos exatamente por quê. Boa leitura!

 
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