A silvicultura constitui o
reflorestamento com finalidade comercial. A madeira é destinada a diversas
finalidades como: utilização da lenha, fabricação de móveis, construção civil,
produção de carvão vegetal (abastecimento de siderúrgicas) e produção de
celulose e papel.
Em geral, utilizam-se espécies
exóticas (estrangeiras) como as coníferas (Pinus) e os eucaliptos, visto
que não apresentam predadores naturais e crescem mais rapidamente.
No Brasil, existe um enorme
déficit entre a madeira produzida por silvicultura e a demanda exercida pelo
mercado consumidor interno. Assim, trata-se de um setor que requer vultosos
investimentos privados. Os aspectos positivos são:
- a expansão da silvicultura
reduziria o consumo de madeira nobre proveniente dos biomas nativos como a
floresta amazônica, o cerrado e os fragmentos de mata atlântica;
- gera empregos que exigem
melhor escolaridade e qualificação, a exemplo dos biólogos e engenheiros
florestais;
- permite aumentar as exportações
de papel e celulose numa conjuntura internacional marcada pela valorização de commodities devido à expressiva demanda de países como a China.
Além disso, possibilita uma
alternativa rentável para pequenos e médios proprietários que venderiam a
madeira para as empresas. No entanto, é preciso garantir que a silvicultura se
expanda apenas em áreas já alteradas para impedir qualquer dano aos
ecossistemas naturais remanescentes.
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Na foto, o
contraste entre a Mata Atlântica com alta biodiversidade e uma área de
silvicultura |
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O
estado de São Paulo apresenta as maiores áreas destinadas à silvicultura. Os
estados que apresentam maior expansão são a Bahia, o Espírito Santo, o Rio
Grande do Sul e o Pará. No sul da Bahia, especialmente na região de Porto
Seguro, expande-se a silvicultura de eucaliptos voltada para a produção de
papel e celulose por empresas como a Aracruz e a Veracel (capital brasileiro e
transnacional).
A expansão dessas florestas
plantadas gera controvérsia. Alguns ambientalistas e organizações em prol da
reforma agrária às denominam de “deserto verde”. As principais críticas são:
- o plantio em massa de
espécies exóticas reduziria a biodiversidade local, o prejuízo atingiria a
variedade botânica (composição florística) e a fauna, já que animais locais
como insetos, aves e mamíferos interagem pouco com a flora exótica;
- algumas espécies lançam substâncias
no solo que inibem o desenvolvimento de espécies nativas que poderiam se
desenvolver no sub-bosque (estrato inferior) da floresta;
- o eucalipto, sobretudo quando
plantado com espaçamento reduzido, absorveria muita água do solo e subsolo,
podendo rebaixar o lençol freático, causando prejuízo para o aqüífero e impactando
negativamente matas naturais limítrofes e propriedades rurais vizinhas;
- a silvicultura ocuparia
imensas áreas e geraria poucos empregos diretos;
- algumas empresas são acusadas
de se expandir sobre áreas outrora controladas por comunidades de índios e
posseiros, daí a emergência de conflitos com o MST e movimentos indígenas;
Uma das críticas é que as
empresas apresentam maior facilidade de acesso às terras que poderiam ser
destinadas à reforma agrária com a introdução de cultivos agrícolas
diversificados (policultura) e ambientalmente sustentáveis.
De qualquer modo, em um país de
dimensão continental como o Brasil, seria possível conciliar os diversos
interesses, isto é, fazer reforma agrária, desenvolver a silvicultura e
garantir a conservação do meio ambiente. Todavia, é necessário um rigoroso
planejamento territorial (zoneamento econômico-ecológico) que leve em
consideração as variáveis econômica, social e ambiental.