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Silvicultura: deserto verde ou prosperidade?
Por Amarildo Diniz     Atualizado em 31/10/2006 15:37:34  Página 1 de 1    
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A silvicultura constitui o reflorestamento com finalidade comercial. A madeira é destinada a diversas finalidades como: utilização da lenha, fabricação de móveis, construção civil, produção de carvão vegetal (abastecimento de siderúrgicas) e produção de celulose e papel.

Em geral, utilizam-se espécies exóticas (estrangeiras) como as coníferas (Pinus) e os eucaliptos, visto que não apresentam predadores naturais e crescem mais rapidamente.

No Brasil, existe um enorme déficit entre a madeira produzida por silvicultura e a demanda exercida pelo mercado consumidor interno. Assim, trata-se de um setor que requer vultosos investimentos privados. Os aspectos positivos são:

  • a expansão da silvicultura reduziria o consumo de madeira nobre proveniente dos biomas nativos como a floresta amazônica, o cerrado e os fragmentos de mata atlântica;
  • gera empregos que exigem melhor escolaridade e qualificação, a exemplo dos biólogos e engenheiros florestais;
  • permite aumentar as exportações de papel e celulose numa conjuntura internacional marcada pela valorização de commodities devido à expressiva demanda de países como a China.

Além disso, possibilita uma alternativa rentável para pequenos e médios proprietários que venderiam a madeira para as empresas. No entanto, é preciso garantir que a silvicultura se expanda apenas em áreas já alteradas para impedir qualquer dano aos ecossistemas naturais remanescentes.

    
 
Na foto, o contraste entre a Mata Atlântica com alta biodiversidade e uma área de silvicultura
 

O estado de São Paulo apresenta as maiores áreas destinadas à silvicultura. Os estados que apresentam maior expansão são a Bahia, o Espírito Santo, o Rio Grande do Sul e o Pará. No sul da Bahia, especialmente na região de Porto Seguro, expande-se a silvicultura de eucaliptos voltada para a produção de papel e celulose por empresas como a Aracruz e a Veracel (capital brasileiro e transnacional).

A expansão dessas florestas plantadas gera controvérsia. Alguns ambientalistas e organizações em prol da reforma agrária às denominam de “deserto verde”. As principais críticas são:

  • o plantio em massa de espécies exóticas reduziria a biodiversidade local, o prejuízo atingiria a variedade botânica (composição florística) e a fauna, já que animais locais como insetos, aves e mamíferos interagem pouco com a flora exótica;
  • algumas espécies lançam substâncias no solo que inibem o desenvolvimento de espécies nativas que poderiam se desenvolver no sub-bosque (estrato inferior) da floresta;
  • o eucalipto, sobretudo quando plantado com espaçamento reduzido, absorveria muita água do solo e subsolo, podendo rebaixar o lençol freático, causando prejuízo para o aqüífero e impactando negativamente matas naturais limítrofes e propriedades rurais vizinhas;
  • a silvicultura ocuparia imensas áreas e geraria poucos empregos diretos;
  • algumas empresas são acusadas de se expandir sobre áreas outrora controladas por comunidades de índios e posseiros, daí a emergência de conflitos com o MST e movimentos indígenas;

Uma das críticas é que as empresas apresentam maior facilidade de acesso às terras que poderiam ser destinadas à reforma agrária com a introdução de cultivos agrícolas diversificados (policultura) e ambientalmente sustentáveis.

De qualquer modo, em um país de dimensão continental como o Brasil, seria possível conciliar os diversos interesses, isto é, fazer reforma agrária, desenvolver a silvicultura e garantir a conservação do meio ambiente. Todavia, é necessário um rigoroso planejamento territorial (zoneamento econômico-ecológico) que leve em consideração as variáveis econômica, social e ambiental.

 
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